Desde pequeno que tive de lidar com muitas fontes de energia negativas na minha vida. Sofri bullying praticamente quase toda a minha vida escolar. Por ter trejeitos femininos, por ser demasiado expressivo, por ser demasiado energético, por ter gostos que a sociedade associa às mulheres, por ser emotivo e sensível, por ter boas notas, por ter passado um ano à frente... E por muito que eu gostasse de dizer que eu só lidei com isto na escola, eu estaria a mentir. Este bullying até de familiares meus veio. Eu com 8/9/10 anos a ser chamado de maricas, galinha, burro de merda, gay... Muitas das vezes pelas minhas costas, mas eu acabei por vir a saber de algumas dessas vezes... E olhar para trás faz-me perceber que estes acontecimentos fizeram com que eu tivesse uma autoestima terrível, e que perdurou por muitos anos. Acho que a pior fase do bullying foi no 5° ano, pois estava numa escola nova onde não conhecia ninguém e foi muito difícil para mim fazer amigos, parecia que só tinha inimigos. Sofri muito nessa turma. Depois no 7° ano decidiram separar as turmas, mais uma turma nova. Felizmente com aquela turma foi mais fácil criar laços, também porque com o tempo eu aprendi a me adaptar mais facilmente a pessoas diferentes. Mesmo assim ainda sofri bullying por parte de uns 2 ou 3 rapazes nesse 7° ano. A partir do 8° as coisas melhoraram. E também nesta turma eu já tinha um grupo de amigos mais sólido, o que foi uma mais valia em vários aspetos, mas infelizmente até nesse grupo haviam 2 pessoas que usavam várias oportunidades para me rebaixar e para "gozarem" de mim, e mesmo assim eu considerava-os amigos, inclusive um deles eu considerei como meu melhor amigo durante um bom tempo, especialmente porque já trazia aquela amizade da turma anterior. Depois disso veio o secundário, basicamente uma vida nova pois deixei o outro grupo de amigos para trás. Aqui também acabei por me integrar num grupo, apesar de que me dava com a turma praticamente toda, tirando 1 rapaz que fazia bullying comigo (como sempre eu era o alvo mais fácil, por ser diferente da "norma"), mas felizmente esse bullying acabou depois do 11° ano, mas só mesmo porque ele perdeu o ano). Claro que tinha de haver alguém. Este novo grupo de amigos introduziu-me à vida social, íamos várias vezes ao café, sair à noite, fazer coisas juntos. E claro que esta vida social fez-me bem, porque foi algo que eu praticamente nunca tinha tido sem ser nos verões quando saía com os meus amigos/amigas do 1º ano (sim, felizmente fiz amigos nessa turma que mantenho até hoje). Mesmo assim, dentro deste grupo tinha de haver a "bully", que fazia questão de me rebaixar sempre que tinha oportunidade e de gozar da minha cara. Ela até fez o meu par das capas cagar em mim para ir com o irmão dela. Até hoje não percebo se ela tem um ódio especial por mim ou se eu simplesmente era o alvo mais fácil (como sempre) para satisfazer a necessidade que ela tinha de libertar as suas más energias e, claro, sentir-se superior. Verdade seja dita, ela achava-se a boss de tudo e de todos e manipulava toda a gente deste grupo. Inclusive várias vezes meteu o pessoal contra mim... Eu é que felizmente nunca fui burro o suficiente para cair nas manhas dela (ou infelizmente?; a ingenuidade às vezes sai mais barato).
O secundário não ajudou na minha autoestima de todo. Eu vi toda a gente do grupo a arranjar namorados/namoradas, a aproveitarem a juventude, e eu ali sempre sozinho, no background. Obviamente que isto afetou a minha autoestima, e só fez com que eu me sentisse cada vez menos suficiente e como se eu não merecesse o amor nem ser amado. Praticamente toda a maturidade emocional que eu tenho é de ver as relações dos outros, quando na verdade naquela idade eu devia era ter estado a explorar, a estimular a construir o meu lado emocional. Ao longo daqueles 3 anos, nunca ninguém se mostrou interessada/o em mim. E a universidade foi mais do mesmo neste aspeto, passou a licenciatura toda e nem 1 pessoa interessada em mim (ou pelo menos que o tenha manifestado). Nos dias de hoje eu tenho muito mais autoestima do que tinha antes, inclusive mais do que tinha durante a licenciatura, mas mesmo assim eu pergunto-me a mim mesmo: O que é que me falta para alguém se interessar em mim? Qual é o meu problema? Felizmente eu olho-me ao espelho e gosto do que vejo, pelo menos fisicamente. Mas será que sou só eu que acho isso? Será que é a minha personalidade? Será que são as minhas atitudes e trejeitos? Independentemente do que seja, sempre me disseram que nunca devemos mudar para agradar ninguém. Mas se o meu "eu" atual não agrada ninguém, o que é que é suposto eu fazer? Eu às vezes simplesmente penso para mim "Talvez eu esteja destinado a morrer sozinho". Eu gosto de acreditar que eu mereço melhor que isso, que eu mereço sentir o amor. E também já me disseram: "Ah mas tu és tão novo, ainda tens a vida pela frente". Certo, mas já me dizem isso desde os meus 15/16 anos e vejam onde estou. Eu só queria perceber o que é que eu tenho de errado. Ou se simplesmente eu estou nos locais errados nas horas erradas. Eu admito que esta loneliness não me afetava grande coisa nos tempos do secundário, mas à medida que vou crescendo, e agora mais do que nunca, a minha loneliness está a tomar conta de mim. Talvez porque agora também estou a começar a minha verdadeira vida adulta, pelo que os meus dias são só trabalho, tese e descansar, enquanto que a socialização só acontece quando saio com os meus amigos (1 vez por semana, e não é sempre) ou quando vou chamada com eles para jogarmos. Mesmo assim não se compara à vida social ativa que eu tinha no secundário e na universidade. Eu agora pergunto-me: Será que eu tenho saudades de viver assim simplesmente porque essa vida ocupada distraía-me da loneliness? É bem provável que sim. Porque a loneliness esteve sempre cá, eu é que tinha coisas suficientes a acontecer na minha vida para me distrair dela. Ela perseguiu-me toda a minha vida, e eu consegui lidar minimamente bem com ela até descobrir o antídoto para a inibir: a socialização. Mas agora que já não tenho muito desse antídoto, é como se eu já não soubesse viver com a loneliness. E eu sinto-me cada vez mais mergulhado numa depressão, como nunca me senti antes. E eu não sei até quando é que vou aguentar viver assim.
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